Cultura Data Driven e a importância dos dados na construção

Sabe o que é ser data driven? Leia sobre o assunto e saiba como a tomada de decisões orientada por dados ajuda empresas a melhorarem processos e resultados e ter uma visão mais assertiva de negócios.
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Atualmente, na construção civil brasileira, temos um grande problema a superar chamado produtividade. Esse problema permeia toda a cadeia da construção, desde a prospecção de terrenos até a operação de edifícios e infraestruturas. Durante cada fase de definição e execução de empreendimentos construtivos existem inúmeros processos, tarefas, pessoas e informações trabalhando para que, no final de cada dia, tenhamos produtos imobiliários surgindo e servindo sua função de moradia, comercial ou institucional.

No e-book “ESTUDO SOBRE AS INCONSISTÊNCIAS ORIGINÁRIAS DOS PROJETOS”, apresentamos dados e insights extraídos de dados da plataforma Construflow, que podem servir para embasar a tomada de decisão e aprendizado sobre os principais problemas que acontecem nos projetos. É um exemplo de como a orientação a dados pode ser usado para melhorar a visão de negócio e implementar ações de melhoria.

A cada empreendimento realizado na construção, a quantidade de informação gerada no mundo aumenta. Em relatório emitido recentemente pelo IDC (International Data Corporation), afirma-se que a produção de dados dobra a cada dois anos, e a previsão é de que em 2020 sejam gerados 350 zettabytes de dados ou 35 trilhões de gigabytes. Tente pensar no último projeto de arquitetura, engenharia e construção no qual você trabalhou:

  • Quantos emails foram escritos, respondidos e encaminhados?
  • Quanta documentação com informações embutidas foram inclusas?
  • Quantas horas foram gastas em reuniões, produção dos projetos, orçamento, planejamento, execução de obra?
  • Quantas toneladas de aço, m³ de concreto, litros de pintura foram gastos?
  • Qual o tempo médio gasto para executar tarefas que repetem em toda obra?
  • Quanto tempo é gasto com tarefas que agregam pouco ou nenhum valor aos projetos?

Todas essas questões podem se tornar dados que poderiam ajudar arquitetos, engenheiros, gestores, analistas a terem uma visão data driven de seus negócios, ajudando-os a tomar melhores decisões sobre como melhorar processos, diminuir desperdícios (de materiais, recursos financeiros e humanos) e garantir uma maior eficiência e produtividade em todas as empresas envolvidas no setor de construção.,

Mas afinal, o que “ser data drive” ou ser um negócio “data driven” (Data Driven Business) ? O termo vem do inglês “orientado a/por dados”, ou seja, diz-se que um negócio é data driven quando as decisões e estratégias são traçadas ou definidas não somente baseadas na experiência dos tomadores de decisão, mas também auxiliada por dados que corroborem/apoiem essas decisões.

E quais são os dados que orientam a tomada de decisão? Isso depende de cada tipo de empresa e qual o objetivo que se deseja alcançar. Na construção civil, temos diversos tipos de empresas trabalhando juntas para um objetivo comum, que é construir. Porém, cada uma delas tem uma atuação e um conjunto de expertises e capacidades específicas – incorporadoras, projetistas (arquitetos, engenheiros estruturais, de instalações, paisagistas, etc), construtoras, operadores e proprietários – , que requerem avaliar diferentes métricas e indicadores durante a realização de suas atividades.

Para uma incorporadora, é interessante avaliar informações como: público-alvo para um determinado produto imobiliário, preço de terrenos, ROI de empreendimentos já realizados. Para projetistas, é importante ter informações sobre número de horas gastas por projeto, de acordo com sua complexidade, tamanho, tipologia, repetição, etc. Também podem ter em seu acervo de dados o número de projetos orçados versus contratados e avaliar qual o motivo para projetos que foram bem sucedidos de acordo com sua percepção do negócio.

No caso de construtoras, o controle sobre o orçamento de projetos e custos de tecnologias construtivas pode ser um dado importantíssimo para avaliar uma proposta antes de começá-la. Todos esses dados são insumo para gerar insights operacionais para os profissionais e empresas. Como dizia o estatístico estadunidense William Edwards Deming:

“Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia.”

Wiliam Edwards Deming
William Edwards Deming

Portanto, é evidente a importância de ter como realizar a coleta/medição de todos esses dados. Sem essa primeira etapa, fica muito difícil passar para a próxima etapa, que é a análise dos mesmos. A partir dessa análise dos dados, insights são gerados e são eles que auxiliam as empresas na tomada de decisão. Na análise de dados, podem ser feitas avaliações sobre o que aconteceu no passado e aplicar métodos estatísticos para realizar análises preditivas do futuro. 

Ou seja, dadas condições de contorno aplicadas a determinadas situações de negócio, prever o comportamento de certas métricas ou indicadores ao longo do tempo. Isso dá às empresas a capacidade de serem mais assertivas na tomada de decisões em cenários de incerteza futura. E também permite a ela fazer, testar e simular cenários possíveis num horizonte próximo. Ainda mais agora, num período em que as mudanças aconteceu com maior rapidez a cada dia, influenciadas pelo avanço e surgimento de novas tecnologias e pelas mudanças de comportamento dos clientes.

Mas como uma empresa se torna data driven? É algum software, processo que se implementa? É algo que seja responsabilidade de um departamento específico? Na verdade, o componente mais importante para uma empresa se tornar data driven é a cultura que vem atrelada ao termo. Isso significa que uma organização data driven é formada por pessoas que tem uma mentalidade orientada por dados. Não basta que exista um setor de Business Intelligence na empresa, mas sim que a estrutura organizacional da mesma possa empoderar as pessoas da organização a coletar, analisar e tirar insights a partir dos dados.

É preciso desenvolver habilidades e competências nas pessoas para tal. Tanto do ponto de vista técnico, como também habilidades gerenciais. É preciso que as pessoas sejam orientadas por dados para que a organização se torne também. Pode ser difícil em algumas empresas mudar a mentalidade de gestores para novas maneiras de gerenciamento, baseada na análise de dados ao invés de somente confiar em opiniões especializadas. É preciso mostrar que esse método de gestão é algo que aumentará o potencial das pessoas e da empresa, pois quanto mais informações e conhecimentos se conseguir reunir com base em dados, o risco de tomar decisões diminui. Portanto, elas poderão ser mais criativas e trabalhar em cada vez melhorar mais processos e produtos para atender melhor seu público-alvo.

Além disso, é necessário ter uma infraestrutura tecnológica que colete, limpe e transforme o dados da organização e também dados externos. Sem tecnologia, não é possível ter performance de dados. Dashboards gerenciais, relatórios gerados automaticamente, interoperabilidade entre sistemas são essenciais para empoderar as pessoas a tomarem melhores decisões para os negócios.

Empresas data driven não são simplesmente adotantes de tecnologias, bancos de dados e dashboards no Power BI. São organizações em que as pessoas são empoderadas com uma mentalidade orientada a dados e utilizam desses recursos para analisar o que está acontecendo e modelar situações futuras com base nas informações que podem obter a partir desses dados.

Nos próximos artigos, mostraremos como construtoras e empresas de projetos podem se tornar empresas data-driven e alguns passos para implementar essa cultura.